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Rotinas culturais também são envelhecimento ativo

17/07/2019 | Miguel Rangel, diretor comercial, de desenvolvimento e comunicação da Fundação de Serralves

O envelhecimento acontecer-nos-á, previsivelmente, a todos. Porém, podemos sempre optar por viver um estilo de vida ativo e isso vai, certamente, ajudar a tornar o envelhecimento bem mais positivo. A Organização Mundial de Saúde define o envelhecimento saudável ou ativo como aquele que possibilita o “desenvolvimento e manutenção da capacidade funcional e o bem-estar na velhice”.

Se é certo que o envelhecimento ativo descreve indivíduos que vivem a vida da forma mais completa possível, os eixos emocional e físico ganham preponderância face aos restantes, garantindo ao individuo um bem-estar visível e sentido.

A base para uma vida ativa é, sem dúvida, a atividade física, mas os aspetos social e intelectual também desempenham um papel fundamental para se permanecer feliz e saudável com a idade. O objetivo do envelhecimento ativo é manter o corpo e a mente ativas e envolvidas, tanto para o benefício da saúde do indivíduo como para a felicidade e o bem-estar de todos.

Assim, e sabendo que a atividade física tem um efeito profundo nos indivíduos, e que incorporá-la na rotina diária ou semanal pode ter resultados positivos imensos, a minha sugestão ao leitor é que adicione a esta atividade física a atividade intelectual materializada na criação de rotinas associadas a uma instituição cultural como é o caso da Fundação de Serralves.

Plano de treino cultural

Para tal, dou duas sugestões do que poderíamos designar de “plano de treino semanal cultural”.

Faça-se Amigo de Serralves. Se tiver menos de 65 anos o custo são 50 euros por ano e se tiver mais de 65 anos paga 50% desse valor. Estamos a falar, em média, respetivamente, de quatro ou dois euros por mês de custo de adesão. Ao aderir tem entrada ilimitada e sempre gratuita em todas as exposições no Museu ou Parque de Serralves, acesso a visitas simples às exposições ou visitas guiadas exclusivas só para Amigos, entradas em conferências, debates, musica, cinema, dança e tantas outras atividades que lhe deixarão o tempo e a mente bem exercitadas.

Se nenhuma atividade estiver prevista para um determinado dia, pode sempre passear pelos 18 hectares do parque de Serralves e manter o corpo ativo neste exercício, percebendo como a natureza bafejou de forma única este espaço. Além disso, pode conhecer outras áreas da cultura ou história, pois tem a possibilidade de entrar gratuitamente nos Museus e Monumentos sob gestão da DGPC – Museu dos Coches, Palácio Nacional de Mafra, Museu Nacional de Arte Antiga, só para dar alguns exemplos dos 16 espaços que pode visitar gratuitamente com este cartão.

A outra sugestão, igualmente interessante, é a inscrição num programa de Voluntariado. Se tem gosto pela cultura e vontade de dar o seu tempo, motivação e saber esta poderá ser uma opção para que a sua atividade não pare e contribua para o funcionamento das instituições culturais em Portugal. Todos os dias poderá fazer acolhimento do público ou a receção a grupos escolares mantendo assim as atividades de relacionamento e interação social sempre ativas. Se gosta do ar livre, o apoio nas práticas de jardinagem poderá ser a sua opção; se gosta de ler e de investigar, o apoio na biblioteca é o seu local de eleição; mas estes são só alguns exemplos das áreas de atividade de um voluntário que alguns museus e monumentos oferesem, uma vez que, de acordo com as suas aptidões, disponibilidade e áreas de interesse poderá escolher outras atividades.

Todos queremos permanecer independentes e ativos para aproveitar a vida ao máximo. Os exemplos que descrevi ao leitor poderão ajudar a melhor buscar esse bem-estar e a comprometer-se com um estilo de vida ativo física e intelectualmente. Se vai a um ginásio para manter a sua forma física, pode e deve também ir a um ginásio cultural. Serralves é um bom exemplo.

Ginásios culturais de norte a sul

Tal como Miguel Rangel sugere no artigo, importa ir ao ginásio cultural para manter, além da vertente física, também o estilo de vida ativo em termos intelectuais. A oferta é vasta em todo o país.

Desde logo no Porto, além de Serralves, também a Casa da Música (o Cartão Amigo, semestral ou anual, com preços entre 14,10 e 47 euros) e o Teatro Nacional São João (ser amigo é gratuito e permite usufruir de benefícios na aquisição de bilhetes para as diversas iniciativas no São João, mas também no Carlos Alberto e Mosteiro de São Bento da Vitória).

Em outras regiões, uma das sugestões é o Cartão Quadrilátero Cultural, para o acesso, com benefícios e em condições vantajosas, a equipamentos e eventos culturais nas quatro cidades do chamado Quadrilátero: Guimarães (Centro Cultural Vila Flor), Braga (Theatro Circo), Famalicão (Casa das Artes) e Barcelos (Theatro Gil Vicente). O valor da anuidade do cartão é de 25 euros.

Em Lisboa, a Gulbenkian, por exemplo, propõe vendas em bloco, ficando o preço unitário dos espetáculos mais em conta. Os assinantes têm acesso à compra de bilhetes muito antes do público em geral, garantindo a escolha dos melhores lugares e beneficiando do desconto associado a cada assinatura.

Também na capital, o Centro Cultural de Belém propõe o Cartão Amigo CCB. Este oferece várias vantagens em termos de comodidade de prazos de compra de bilhetes para os espetáculos e descontos (que chegam a 30% no caso da produção própria do CCB) ou entradas gratuitas em algumas exposições. O custo do Cartão Amigo CCB é de 60 euros por ano ou 160 euros por triénio (população 65+ com desconto de 50%).

Estes são, apenas, alguns dos muitos exemplos. Pesquise na sua área de residência e faça o seu plano de exercício cultural.