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Mobilidade e (bom) envelhecimento

17/12/2018 |

O processo de envelhecer bem está intrinsecamente ligado à mobilidade. Um bom envelhecimento assenta na capacidade do indivíduo para se mover: ser capaz de se levantar da cama, andar pela casa e usar transportes são exemplos. A manutenção dessa capacidade à medida que se envelhece depende em parte do indivíduo e é também influenciada pela sua envolvente.

O indivíduo tem um papel importante na determinação da forma como envelhece e deve ser capacitado para desempenhar ativamente esse papel, de modo a envelhecer melhor. Para isso, precisa de conhecer o seu processo de envelhecimento, o que requer algum tipo de medição. O índice de envelhecimento Selfie é um instrumento que permite ao indivíduo a autoavaliação do seu processo de envelhecimento, assim como posicionar-se em relação aos seus pares, contribuindo assim para a sua capacitação. O aconselhamento ajustado às necessidades de cada um é também importante. Várias intervenções que promovem o exercício físico pretendem influenciar o comportamento individual para que se mantenha a mobilidade e se envelheça melhor.

A envolvente influencia o processo de envelhecimento e condiciona a efetividade de intervenções direcionadas ao indivíduo. Planear eficazmente o ambiente do futuro requer alguma reflexão: como viverão as pessoas mais velhas – tendencialmente nas suas casas ou nalguma forma de coabitação? Onde viverão – em zonas urbanas ou rurais? Estas tendências deverão influenciar o nível de investimento em tecnologias assistenciais como, por exemplo, a telemedicina. É expectável que as pessoas mais velhas se mantenham ativas até mais tarde, a desempenhar tarefas remuneradas ou não, tais como cuidar dos netos? Como vão interagir com a família e amigos – tendencialmente de forma virtual ou presencialmente? Tudo isso tem implicações para o desenho das políticas de mobilidade, por exemplo a ênfase no transporte individual ou coletivo e a distribuição geográfica dos serviços. De modo global, a envolvente deve ser adaptada à capacidade sensorial do indivíduo e deve ser atrativa. A sinalização e iluminação das estradas pode, por exemplo, favorecer a manutenção da capacidade de condução em idades mais avançadas. Os trilhos e passeios devem ser apelativos e transmitir a sensação de segurança se queremos que as políticas e intervenções de incentivo à atividade física sejam eficazes (as pessoas mais velhas não sairão de casa se tiverem medo de cair).