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Lisboa, Cidade de Todas as Idades: O projeto Radar

15/07/2019 |

Perante este cenário, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa teve uma posição ativa na adoção e no fortalecimento de uma estratégia de participação social e de solidariedade dos diversos atores sociais, nos quais se incluem os órgãos institucionais que prestam apoio e intervêm diretamente com a população 65+, as famílias e a comunidade em geral.

Este compromisso pretende, numa perspetiva de governação colaborativa, melhorar os níveis de eficácia, de eficiência e de efetividade, nomeadamente através da rentabilização dos recursos existentes e por via de uma nova cultura organizacional. Esta abordagem prevê superar as esferas privadas de atuação e procurar soluções integradas e partilhadas que melhor respondam aos desafios da longevidade, providenciando aos cidadãos respostas adequadas às suas expetativas, privações e potencialidades.

Neste sentido, a Unidade de Missão Santa Casa, em conjunto com os parceiros-chave, garante a operacionalização do Programa Lisboa, Cidade de Todas as Idades em todas as suas dimensões, assumindo-se como responsável pela implementação de respostas integradas, articuladas e de proximidade, quer ao nível interno, quer ao nível externo, conduzindo e operacionalizando a execução efetiva da estratégia para a cidade com foco na população 65+.

Em termos funcionais, salienta-se o Projeto Radar como dimensão do Programa Lisboa, Cidade de Todas as Idades, cujo objetivo central passa pela sinalização e acompanhamento das pessoas com mais de 65 anos de idade que estejam em situação de risco de isolamento e de solidão. Esta alteração de paradigma tem como propósito proporcionar condições para que estas possam residir mais tempo nas suas casas e evoluir na promoção de novas formas de cidadania e de participação no espaço público.

 

O papel da intervenção comunitária para o desenvolvimento local na missão do Projeto Radar

Transformar esta visão em realidade é, em grande medida, um desafio que exige uma articulação plena ao nível das parcerias, assim como uma maior expressão de solidariedade comunitária.

Desta forma, podemos então definir o Projeto Radar como um plano de intervenção comunitária e de desenvolvimento local, fundamentado numa abordagem à metodologia de investigação-ação participativa, pioneiro em Portugal, e assente no trabalho com as entidades locais e no estabelecimento de parcerias e redes, das quais fazem parte a Câmara Municipal de Lisboa, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, o Instituto de Segurança Social, IP, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, a Polícia de Segurança Pública, as Juntas de Freguesia, a Rede Social de Lisboa, assim como a comunidade em geral (voluntários, famílias, vizinhos/as e comércio local).

Neste plano, o Projeto Radar vem formalizar e fortalecer o trabalho desenvolvido com foco neste grupo populacional, através da criação de uma plataforma digital Projeto Radar, que possibilitará maior articulação entre parceiros e também favorecerá o rápido acesso e centralização da informação. A otimização da informação, relativamente às pessoas com mais de 65 anos manifestando algum tipo de privação e de expectativa, permite que sejam atendidas, escutadas e cuidadas, de forma a uma melhor gestão e a promover intervenções mais eficazes, eficientes e efetivas.

 

Plataforma Digital Projeto Radar: a criação de uma ferramenta digital de apoio à intervenção

O Projeto Radar tem como missão melhorar os serviços sociais prestados à população de idade avançada da cidade de Lisboa, através da criação de mecanismos integrados e de parcerias sustentadas, recorrendo à utilização de uma plataforma de apoio digital para o efeito, designada de Plataforma Digital Projeto Radar.

A insuficiente articulação entre os diversos parceiros tem sido apontada como uma das principais barreiras para a resposta integrada em situações de vulnerabilidade, originando, por um lado, redundâncias e, por outro, o desperdício de recursos. Para tal, é de extrema importância a partilha de informação entre parceiros e que, em tempo útil, possam comunicar, disponibilizar, informar e localizar as sinalizações. Neste quadro de atuação, a Plataforma Digital Projeto Radar deverá ser capaz de assumir o seguinte: 1) sinalização; 2) avaliação e encaminhamento; 3) acompanhamento; e 4) monitorização.

Assim sendo, a georreferenciação da informação possibilita a identificação de recursos de proximidade e o acesso à informação e aos dados associados, de acordo com os perfis de acesso de cada parceiro e seu representante, estando garantidos todos os níveis de confidencialidade.

Já numa 2.ª fase pretende-se desenvolver uma app para smartphones e tablets, destinada a toda a comunidade “radares voluntários individuais” (voluntários, famílias, vizinhos/as, etc.), e um QR Code destinado aos “voluntários radares coletivos” (comércio local: farmácias, mercearias, pastelarias, mediadores Jogos Santa Casa, etc.), que permita à população em geral detetar e prevenir situações de isolamento e de solidão, bem como potenciar a construção de bairros residenciais mais solidários e atentos, e comprometidos em cuidar dos seus membros de forma respeitadora.

 

Maria da Luz Cabral, Tiago Simão

Unidade de Missão Santa Casa

Programa Lisboa Cidade de Todas as Idades